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CMV: como calcular o custo do que você vende

Equipe Katalog9 min de leitura
Capa do artigo: CMV: como calcular o custo do que você vende

O faturamento subiu, o caixa não acompanhou e você não sabe onde o dinheiro ficou. Antes de culpar o aluguel, olhe para a maior saída de quase todo comércio e restaurante: o custo das mercadorias e dos ingredientes vendidos. Esse número se chama CMV e sai de três informações que você consegue ter até o fim do mês.

A conta é simples. O difícil é alimentá-la com compras lançadas pelo custo certo, fichas técnicas atualizadas e um estoque contado de verdade.

O que é CMV e como calcular o CMV percentual

CMV é o custo da mercadoria vendida: quanto custou, a preço de compra, tudo o que saiu do estoque no período. Não é o total pago aos fornecedores no mês, porque parte do que você comprou ainda está na prateleira e parte do que vendeu veio do mês anterior. Por isso a fórmula usa o estoque:

CMV = estoque inicial + compras − estoque final

O estoque inicial é o estoque final do mês anterior, e o final sai da contagem no último dia. Tudo a preço de custo, nunca a preço de venda. Como o valor em reais sozinho diz pouco, acompanhe também o CMV percentual:

CMV % = CMV ÷ receita líquida de vendas × 100

A receita líquida é o que você vendeu menos devoluções, cancelamentos, descontos concedidos e impostos sobre a venda. Confirme as deduções com o seu contador e use o mesmo critério todo mês.

Qual custo usar nas compras e no estoque

No comércio, o custo de cada item é o custo de aquisição da mercadoria para revenda. O Guia Prático de Precificação para os Pequenos Negócios, do Sebrae, lembra que a empresa com ICMS no regime de não cumulatividade não inclui o ICMS da compra no custo do estoque, porque ele é lançado como imposto a recuperar. O guia também cita PEPS (primeiro que entra, primeiro que sai) e custo médio como métodos de controle de estoque e explica que o UEPS não é aceito pela Receita Federal.

Exemplo completo: o CMV de um mês numa mercearia

Exemplo: uma mercearia de bairro fecha o mês de outubro. Os estoques foram contados a preço de custo, as compras incluem o frete e o imposto sobre a venda é suposto em 6%. Todos os valores são de exemplo.

ItemValor
Estoque inicial (contagem de 30 de setembro)R$ 18.000
Compras de outubroR$ 26.500
Estoque final (contagem de 31 de outubro)R$ 16.300
Receita bruta de vendasR$ 60.000
Devoluções e cancelamentosR$ 1.000
Impostos sobre a vendaR$ 3.600
  1. Calcule o CMV. R$ 18.000 + R$ 26.500 − R$ 16.300 = R$ 28.200.
  2. Calcule a receita líquida. R$ 60.000 − R$ 1.000 − R$ 3.600 = R$ 55.400.
  3. Calcule o CMV %. R$ 28.200 ÷ R$ 55.400 = 0,509, ou seja, 50,9%.
  4. Calcule o lucro bruto. R$ 55.400 − R$ 28.200 = R$ 27.200. Dele saem aluguel, salários e as demais despesas.

Os R$ 28.200 incluem tudo o que saiu do estoque, vendido ou não: produto vencido, quebrado, consumido pela equipe ou furtado. Por isso o CMV % funciona como alarme. Para transformar esses percentuais em preço de venda, veja o artigo sobre markup e margem na formação de preço.

Revenda e food service: o custo nasce em lugares diferentes

Na revenda, o produto sai do estoque do jeito que entrou: a caixa de refrigerante comprada por R$ 30 custa R$ 30 quando é vendida, mais o frete. No food service você compra ingredientes e vende pratos. O custo de cada prato depende da receita, da perda na limpeza e de quanto o alimento encolhe no preparo, e a ferramenta para calculá-lo é a ficha técnica.

Ficha técnica: fator de correção e rendimento

  • Fator de correção (FC) = peso bruto ÷ peso líquido. Mede a perda na limpeza: se você compra 1,5 kg de alface para aproveitar 1 kg de folhas, o FC é 1,5.
  • Rendimento = peso pronto ÷ peso cru. Um hambúrguer de 150 g cru que sai da chapa com 120 g rende 0,8. Se a porção for definida pelo peso pronto, divida pelo rendimento para saber quanto usar cru.
  • Preparos em lote, como molhos, viram ingrediente com custo por quilo: R$ 36 em ingredientes que rendem 2 kg de molho dão R$ 18 o quilo.

Exemplo de ficha técnica de um X-burguer. Quantidades, fatores e preços são de exemplo: meça os da sua cozinha.

IngredienteQuantidade líquidaFCQuantidade brutaPreço de compraCusto
Pão de hambúrguer1 un1,001 unR$ 1,20/unR$ 1,20
Blend bovino cru150 g1,00150 gR$ 42,00/kgR$ 6,30
Queijo muçarela40 g1,0040 gR$ 38,00/kgR$ 1,52
Tomate30 g1,2537,5 gR$ 8,00/kgR$ 0,30
Alface15 g1,5022,5 gR$ 12,00/kgR$ 0,27
Molho da casa20 g1,0020 gR$ 18,00/kgR$ 0,36
Óleo e temperos (estimativa)----R$ 0,25
Embalagem e guardanapo1 un1,001 unR$ 0,90/unR$ 0,90
TotalR$ 11,10

Vendido a R$ 32,00 (exemplo), o lanche tem custo de 34,7% sobre o preço. Sem o fator de correção, tomate e alface custariam R$ 0,42 em vez de R$ 0,57: pouco num lanche, muito em centenas por mês. Para achar o seu FC, pese o ingrediente antes e depois da limpeza em dias diferentes e use a média.

CMV teórico e CMV real

Multiplique o custo de cada ficha técnica pela quantidade vendida no mês e some: esse é o CMV teórico, o que deveria ter saído do estoque. O CMV real vem da fórmula com inventário. Exemplo: teórico de 31% e real de 36%. Os 5 pontos de diferença são mercadoria usada além da ficha ou que saiu sem virar venda. Para atacar essa diferença, veja como reduzir o desperdício de alimentos no restaurante.

Como interpretar o CMV % subindo ou caindo

O CMV % de um mês isolado diz pouco. Compare com os meses anteriores do seu negócio e, no food service, com o CMV teórico. As causas mais comuns de variação:

O que aconteceuEfeito no CMV %O que conferir
Fornecedor aumentou o preço e o seu preço de venda não mudouSobeCusto das últimas notas contra o custo da planilha de preço
Promoções e descontos acima do normalSobeTotal de descontos concedidos no mês
Desperdício: vencimento, porção maior que a ficha, erro de preparoSobeCMV teórico contra real e registro de perdas
Desvio: mercadoria que sai sem vendaSobeContagem mais frequente dos itens de maior valor
Mix de vendas mudouSobe ou caiQuais produtos ganharam participação nas vendas
Reajuste do preço de vendaCaiSe o volume vendido se manteve
Erro de inventário ou nota lançada no mês erradoDistorce dois meses, em direções opostasRecontagem e data de lançamento das notas

Existe um CMV ideal?

Não existe um percentual que sirva para todo negócio: uma distribuidora de giro alto e margem apertada convive com CMV bem maior que uma loja de margem ampla. No food service, o Guia de Investimento Restaurante de Sucesso, do Sebrae-SP, aponta CMV de 32% a 45% para restaurantes no mercado nacional, com a ressalva de que os percentuais variam conforme o modelo do negócio. Use a faixa como ponto de partida e acompanhe, acima de tudo, a evolução do seu próprio número.

Rotina de inventário: quando contar, como contar e quem conta

Faça um inventário completo por mês, no último dia, para fechar o CMV. Entre um e outro, conte semanal ou quinzenalmente só os itens de maior valor ou maior risco de perda, como carnes, destilados e produtos pequenos e caros.

  1. Escolha um horário sem movimento. Antes de abrir ou depois de fechar.
  2. Lance todas as compras do período antes. Nota que chegou e não foi lançada vira diferença falsa.
  3. Siga a ordem física do estoque. Prateleira por prateleira, para ninguém pular um canto.
  4. Conte na unidade certa. Quilo para a carne, unidade para o pão, fração para a caixa aberta.
  5. Reconte as diferenças grandes. Outra pessoa confere o item antes de você aceitar a divergência.
  6. Valorize a preço de custo e guarde. Use o mesmo método todo mês: o estoque final de hoje é o inicial do próximo mês.

Sobre quem conta: evite deixar a contagem só com quem cuida do estoque no dia a dia. Trabalhe em dupla, uma pessoa contando e outra anotando, e o dono ou gerente reconta por amostragem os itens caros. Mais ideias estão no guia de controle de estoque eficiente para restaurantes.

Um erro de contagem distorce dois meses: o estoque final errado de hoje vira o estoque inicial errado do mês seguinte. Se o CMV % pulou num mês e caiu na mesma medida no outro, desconfie primeiro do inventário.

Como o Katalog ajuda a manter o estoque final confiável

O cálculo do CMV, das fichas técnicas e do custo de cada produto fica na sua planilha ou no seu sistema de gestão, já que os relatórios do Katalog são de vendas, não de custo ou lucro. O controle de estoque está disponível conforme o plano contratado.

  • Baixa automática com histórico. O controle é ligado por produto. Com ele ativo, cada venda dá baixa automática, o cancelamento devolve a quantidade, as movimentações ficam registradas e o produto fica indisponível quando o saldo zera.
  • Entradas, saídas e ajustes. Em Catálogo > Estoque você lança movimentações manuais com observação. Registre perdas como saída, com o motivo ("vencido", "quebra"), para que o que saiu sem venda fique anotado.
  • Balanço com o celular. No app do Katalog, a aba Balanço usa a câmera para ler o código de barras: cada leitura soma 1 à contagem, e a quantidade pode ser editada. No painel, em Catálogo > Balanços, você revisa a contagem, vê a diferença entre o estoque do sistema e o contado e aplica o balanço.
  • Casas decimais. O estoque aceita até 3 casas decimais, o que permite registrar uma caixa aberta pela fração ou um item controlado por peso, como 12,350 kg.

No restaurante, o estoque do Katalog acompanha os produtos cadastrados para venda, como bebidas e sobremesas prontas. Os ingredientes das receitas ficam na planilha ou no sistema de gestão.

Checklist para fechar o CMV todo mês

  • Lance as notas de compra do mês pelo custo de aquisição antes do inventário.
  • Faça a contagem completa no último dia, em dupla e fora do horário de movimento.
  • Calcule estoque inicial + compras − estoque final e divida pela receita líquida.
  • No food service, compare o CMV teórico com o real usando fichas com FC e rendimento medidos.
  • Quando o CMV % mudar, investigue nesta ordem: inventário, preço de compra, descontos, desperdício e desvio.

Perguntas frequentes

CMV e CPV são a mesma coisa?

A lógica é a mesma, muda o tipo de negócio. CMV é o termo usado para quem revende mercadorias, e CPV, custo dos produtos vendidos, para quem fabrica. Restaurantes costumam falar em CMV mesmo produzindo os pratos, e o importante é usar o mesmo critério todo mês.

A refeição dos funcionários entra no CMV?

Se o que a equipe consome sai do estoque sem registro, acaba somado ao CMV e esconde perdas de verdade. O melhor é registrar esse consumo separadamente, por quantidade ou por estimativa. Como classificar esse valor na contabilidade é uma decisão a confirmar com o contador.

Dá para calcular o CMV sem fazer inventário?

Dá para estimar o CMV teórico, multiplicando o custo das fichas técnicas ou dos produtos pela quantidade vendida. Sem contar o estoque, porém, você não enxerga perdas, desvios nem erros de lançamento. Se o inventário completo todo mês for pesado, comece contando pelo menos os itens de maior valor.

O que fazer quando o fornecedor muda o preço no meio do mês?

Lance cada compra pelo valor da nota e deixe o método de valorização fazer a conta. No custo médio, o novo preço entra na média do estoque, e no PEPS as unidades mais antigas saem primeiro pelo custo antigo. Atualize logo as fichas técnicas e a planilha de preço, para o aumento não ficar escondido.

K

Equipe Katalog

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